terça-feira, 16 de junho de 2015

Desafio de ser um Educador do século XXI



Desafios na prática pedagógica do educador do século XXI: o educador que ousa e acredita




“Conforme uma visão autenticamente utópica, esperança não quer dizer cruzar os braços e esperar. A esperança só é possível quando, cheios de esperança, procuramos alcançar o futuro anunciado que nasce no marco da denúncia por meio da ação reflexiva... A esperança utópica é um compromisso cheio de risco.” Paulo Freire, 1997 Utópica, porém verdadeira, consciente do que queremos, do que buscamos enquanto educador comprometido com a proposta de cidadania, que acredita num mundo melhor, na educação assistemática, na subjetividade do conhecimento, na degustação de um saber fazer, no seu exercício da prática pedagógica. Traz à tona um olhar multidimensional, que envolve o educador em descobertas que transcendem a magia do ensinar e do aprender, carregando a esperança de um professor educador apaixonado. Partimos da premissa de que o processo democrático vivenciado paralelamente ao projeto político pedagógico da instituição possa apresentar uma diversidade curricular de acordo com a necessidade de cada grupo, trazendo, assim, respeito às diferenças, propiciando dignidade e liberdade de escolha no desejo de uma aprendizagem compartilhada, socializada por uma comunidade escolar e seu desempenho educativo. O discurso de F. Imbernón (2000) fala que “O século XXI nos obriga a repensar uma nova forma de educar, uma nova forma de ver a instituição educativa e os que trabalham nela. Que nova educação será essa? O que devemos manter e o que devemos abandonar da educação atual?”. Acreditamos no discurso contemporâneo, idealizado para a educação no século XXI, perpassando por um momento de descobertas e parceria, sentimentos arrojados de autonomia, afetividade e reconhecimento do outro, respeito pelo outro, atrelados a um projeto de vida que entende a educação como solução, solução para a reconstrução de um país letrado. Ainda citando Paulo Freire: O sonho pela humanização, cuja concretização é sempre processo, e sempre devir, passa pela ruptura das amarras reais, concretas, de ordem econômica, política, social, ideológica, etc., que nos estão condenando à desumanização. O sonho é, assim, uma exigência ou uma condição que se vem fazendo permanente na história que fazemos e que nos faz e refaz.



 A busca do sonho, da esperança, da paixão de formar são temas de grande valia, no desabrochar daquele educador que acredita em uma educação de qualidade. Vamos resgatar esse educador que está ainda adormecido dentro de cada um de nós, que sofre com a falta da valorização, do respeito e da dignidade por aquele que é também responsável pela educação deste país. A desumanização com esse profissional vem a galope, a falta de reconhecimento leva a um desgaste irreparável, com danos de mão dupla, entre educador e educando. A globalização, as novas tecnologias, a inclusão digital e o desenvolvimento sustentável cobram do educador questões de grande complexidade. Entre elas, competências, habilidades e liderança, utilizadas como base para uma gestão democrática, que vislumbra uma equipe coesa com objetivos comuns, “aprender a aprender”. Cabe a esse profissional buscar sua formação continuada, especializar-se na sua área de atuação, atualizar-se com as inovações tecnológicas e saber cuidar, cuidar de si e do outro, visualizando uma perspectiva planetária. Guiomar Mello descreve que “Todos que trabalham na área de formação de professores parecem estar convencidos de que as reformas que visam à melhoria da Educação Básica somente terão sustentação a médio e a longo prazos se existirem professores preparados e comprometidos com a aprendizagem dos alunos”. Devemos acrescentar que esse processo parte de uma reflexão mais ampla, abrindo uma discussão sobre currículo e formação, visualizando uma demanda de profissionais que, a cada ano, saem das academias com uma formação defasada, desassociada do contexto teoria-prática, para a realidade de uma sociedade contemporânea. O professor, a professora, o educador e a educadora do século XXI vivenciam uma trajetória acadêmica de formação continuada, sem projeção, ambição ou determinação, para ele, ela e o seu objeto de estudo. Louvamos aquele que acredita na educação enquanto processo de transformação. Devemos definir esse profissional como um ser pensante, um intelectual orgânico que processa uma cadeia de saberes entre educador e educando, baseados em competências. Priorizamos o profissional que faz da sua prática um exercício de construção de conhecimento, que ousa, que faz a diferença, que estimula as relações intrapessoais e interpessoais no seu cotidiano escolar. Aquele que não usa a avaliação enquanto instrumento de poder, e sim como um processo pedagógico, ético e dialógico. “A avaliação se faz no tensionamento das relações humanas e sociais, ela atua como um dos motores da dialética da própria vida” (Targélia Albuquerque, 2006). Sabemos que o processo de emancipação na avaliação procede de uma prática pedagógica crítica e consciente, dinâmica e qualitativa, de ordem prática do querer fazer, da sua realidade com o outro e pelo outro; logo, avaliar é o encontro dos saberes com um olhar multidimensional, desprovido de preconceitos e privilegiado pela autoavaliação, ação- -reflexão-ação. Ler, interpretar, criticar e construir são verbos que, aplicados nessa ordem, podem definir a trajetória de um educador que acredita no seu potencial de análise, um visionário que constrói o seu caminho, que vive no mundo da Educação com a paixão de formar. E sendo formador com a paixão de viver sua sala de aula como um lugar de aprendizagem, afetividade, compartilhando do desempenho de cada aspirante ao desfio da prática docente. O desejo maior é que esses educadores continuem a disseminar a paixão de ensinar. Ousar na sua prática pedagógica faz parte do desempenho do educador do século XXI. Ele acredita no seu potencial, ele busca novas metodologias, ele sabe ouvir, ele dá autonomia ao educando, ele é criativo, amoroso, afetivo, comprometido com o processo educacional e com a esperança de mudança. Mudança que se faz necessária na formação e atuação do educador. E fica a pergunta: qual é o seu legado? Freire nos lega, assim, não só a pedagogia da esperança, mas uma pedagogia da esperança “‘molhada’ na dialogicidade, na utopia e na libertação dos homens e das mulheres” (Paulo Freire, 1992).


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Hiperatividade na escola: entenda as causas e o papel da escola


     
A pauta de hoje nas escolas em todo o mundo é o transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, diagnóstico conhecido em crianças que apresentam um estado de extrema excitação que se manifesta através de um comportamento inquieto. As crianças que sofrem dessa síndrome apresentam sintomas bem característicos: demonstram dificuldade de concentração no que estão fazendo (brincadeiras, refeições, tarefas escolares etc.); espalham brinquedos por toda a casa; esbarram e pisam em objetos; derrubam coisas; interrompem a conversa dos outros; metem-se em confusão constantemente e até mesmo apresentam agressividade. Estão sempre irritando-se facilmente e também irritando os outros. Na escola, ficam frequentemente em evidência e, se não estão devidamente diagnosticados, são considerados como bagunceiros e indisciplinados.
O TDAH é um transtorno neurológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Ele é reconhecido oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, não é caso de inclusão e seus portadores não são protegidos pela legislação. No Estados Unidos, os portadores de TDAH são protegidos por lei e as crianças recebem tratamento especial na escola.
Geralmente, o TDAH na infância se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como “avoadas” e “vivendo no mundo da lua”.

Desatenção, hiperatividade e impulsividade são os principais sintomas do TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), conhecido também como hiperatividade ou DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção). O transtorno atinge 3 a 5% das crianças, segundo a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), e é um dos causadores da hiperatividade infantil na escola.
O quadro é visível: a criança não consegue se concentrar nas tarefas e se distrai com facilidade. Controlar impulsos também é uma tarefa mais difícil para ela, principalmente em situações que exijam seguimento de regras ou reflexão sobre consequências futuras. Permanecer sentado é um dos desafios para o aluno hiperativo, que exibe excesso de atividade motora (gosta de ficar em pé e correr pela sala, por exemplo) e tem reações emocionais fortes.
Mas apresentar esses sintomas não é suficiente para compor o diagnóstico: é preciso que eles se repitam em pelo menos dois ambientes frequentados pela criança, e apenas um médico especializado pode diagnosticar a existência do transtorno. Ao todo, são 21 sintomas que determinam o TDAH: nove relativos à desatenção, nove à hiperatividade e três à impulsividade.
A venda de remédios indicados para o tratamento cresceu 80% de 2004 a 2008, de acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas o tratamento da hiperatividade deve ser multimodal: combinar medicamentos, orientação aos pais e professores, além de terapia cognitivo-comportamental.
Nem sempre é necessário medicar a criança: o transtorno pode não ser tão prejudicial e algumas iniciativas por parte da escola e dos professores podem acolher melhor o comportamento do aluno e amenizar os sintomas. Um aluno hiperativo pode ser prejudicado por sentar-se perto de uma janela, por exemplo, porque a movimentação externa pode distraí-lo.
Boas práticas dentro da sala de aula podem reduzir os fatores que estimulam a desatenção das crianças e a hiperatividade na escola. Trabalhos em grupos pequenos favorecem a concentração, e o aluno hiperativo pode ter sua energia canalizada para fazer tarefas práticas na sala, como ajudar a entregar o material didático das atividades. Intervalos durante as tarefas também ajudam os alunos a retomarem o trabalho mais focados quando voltam das pausas. O professor também deve avaliar se as atividades propostas são desafiadoras e mantém os jovens interessados.
Agitação ou hiperatividade?
Nem sempre uma criança desinteressada e com muita energia pode ser classificada como hiperativa. O problema pode estar na aula, que não deve apresentar nível de dificuldade superior ou inferior à faixa etária dos alunos. Ambientes desorganizados também favorecem a dispersão.

Outros fatores que não devem ser ignorados são os problemas pessoais e familiares da criança. O falecimento de um parente ou a separação dos pais, por exemplo, podem desestabilizá-la e compor um quadro temporário similar ao do TDAH. Os motivos não são visíveis aos professores, mas, na escola, ela exibe comportamento agitado e agressivo, ou, mesmo hiperativa, se isola dos colegas. Cabe aos professores identificarem as oscilações comportamentais antes de classificar o aluno como hiperativo.