A inclusão é o processo de inserção de pessoas com deficiência no âmbito
social. O alicerce para essa integração é a escola, as políticas públicas
garantem essa implantação baseada em Leis que lutam pela igualdade e pelo
direito à educação para todos. A LDB/96 assegura esse direito às pessoas com
necessidades educacionais especiais, exigindo adequação de currículos, métodos,
técnicas e recursos para atender as especificidades, porém a realidade de hoje
demonstra que as instituições de ensino não estão preparadas e nem estruturadas
para receber a nova demanda. Teóricos como Werneck (1997) e Gallo (1999)
acreditam que a segregação não auxilia nem os deficientes como também os
considerados normais e que a escola deveria através doCURRÍCULO
,
valorizar as diferenças e competências de cada indivíduo. A escola é
direito de todos. Esta frase inquieta muitos professores quando constatam em suas
salas de aulas a realidade da diversidade humana. A origem da educação
tradicional fez com que alguns profissionais de educação despertassem o desejo
de nivelar os conhecimentos dos alunos. A proposta da educação inclusiva deu um
novo aspecto à educação visando um olhar diferenciado as singularidades
humanas.Acredito que para ter uma educação de
qualidade visando a inclusão de alunos especiais é necessário uma estrutura
física adequada, um corpo docente capacitado, auxilio irrestrito da
família,porém,para que isso ocorra,tem que haver vontade política e
principalmente uma boa vontade e esforço de cada envolvido em um processo de
inclusãoDeste modo o processo de inclusão é amplo, com transformações pequenas
e grandes, tanto em ambientes físicos como nas pessoas envolvidas ou
não,partindo das políticas públicas e chegando ao ponto chave que é o de se ter
professores capacitados e os familiares propostos a colaborarem. Três pontos
são fundamentais na articulação deste Tema : a experiência da inclusão, a valorização
das diferenças e a ÉTICA que deve ser o grande pilar em se tratando de inclusão
escolar.
O Objetivo maior desse Blog é mostrar que com
grande vontade e muitas ações , principalmente um grande interesse daqueles que
por obrigação tem que se fazer cumprir as leis marciais dos “direitos
humanos” de se fazer a diferença nas vidas
de crianças portadoras de deficiências no ambiente escolar , fazendo
assim se cumprir o direito e a
garantia de que todas as crianças e adolescentes tem de estar na escola, seja
ela pública ou privada e que
seja então a escola um meio irrestrito de inclusão destes na sociedade como um
todo.Objetivo secundário é o de levar informações adequadas e com isso colabora
para uma qualificação dos trabalhos a serem desenvolvidos pelos profissionais
da Educação em relação com a
inclusão de todos os descriminados.
“Meu amigo diferente é especial"
Para se ter e real sensação de se vivenciar o dia a dia de um professor
que realiza trabalho de inclusão em uma escola pública , procurei uma amiga que
por amor a profissão e principalmente por se importar em fazer a
diferença na vida de pessoas com necessidades especiais acompanhei por três
dias a rotina cansativa, porém muito gratificante da Professora Luana C. da
Silva, que trabalha em duas realidades diferentes porém muito significativas
para a tarefa multidisciplinar que é realizar um processo complexo de inclusão
de alunos da escola pública,sua tarefa é de interpretar a Língua Brasileira de
Sinais para dois alunos com deficiência auditiva em uma sala de aula do 5° ano(4°
série) do ensino fundamental no período da manhã e no período da tarde ela
trabalha em uma escola particular que tem como “projeto” o trabalho só
com pessoas com necessidades especiais em diversos níveis mentais e físicos,
onde ela trabalha como professora de Educação Física.Foi com sua turma da manhã
que a professora me permitiu realizar um trabalho especifico para se
fortalecer o tema da “amizade e as diferenças” onde ela realizou uma atividade
de desenvolvimento artístico com o tema “Meu amigo diferente é especial” .
Orientei-as a desenhar espontaneamente um amigo que possua algum tipo de
deficiência física ou mental.Fiz três perguntas para que eles tivessem um ponto
de partida e uma compreensão maior do que eu queria que fosse realizado: Por
quê seu amigo é diferente? Como iniciou sua amizade? Como você trata o seu
amigo?
Selecionei três desenhos os quais estão aqui expostos com a
digitalização desses desenhos em forma de arquivo de fotos e suas explicações
ao lado dos desenhos
Para se entender melhor o tema da Inclusão de alunos com necessidades
especiais, realizei uma entrevista com a Professora Luana C. da Silva.
A professora Luana tem 36 anos dos quais 17 deles é dedicado a
profissão Docente,formada pelo extinto Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento
do Magistério (CEFAM)
que foi um centro de formação do magistério que surgiu para substituir os
antigos magistérios e os normais, tinha uma visão diferenciada sobre a formação
educacional. O curso funcionava em período integral, com duração de quatro anos
em vários municípios do estado de São Paulo, é Pedagoga formada no curso da
Universidade de Sorocaba (Uniso), formada também em Educação Física pela
Universidade Uirapuru de Sorocaba, Pós Graduada em Educação
Escolar;Especialização em LIBRAS(Língua Brasileira de Sinais);Pós Graduada em
Educação Física Para portadores de Deficiência Físicas e Mentais e
Extensão em Saúde e Higiene.Ela como interprete de LIBRAS na Escola Municipal
“Professor Oswaldo Duarte Junior” em Sorocaba e no Instituto de Educação
Especial “Clave de Sol”, também em Sorocaba, onde da aulas de Educação Física.
O que significa inclusão para você?
Professora Luana: Inclusão é a transformação do sistema educacional, de
forma a encontrar meios de alcançar níveis que não estavam sendo contemplados. Eu compreendo a inclusão como um processo em três
níveis: o primeiro é a presença, o que significa, estar na escola. Mas não é
suficiente o aluno estar na escola, ele precisa participar.O segundo, portanto,
é a participação. O aluno pode estar presente, mas não necessariamente
participando. É preciso, então, dar condições para que o aluno realmente
participe das atividades escolares. O
terceiro é a aquisição de
conhecimentos - o aluno pode
estar presente na escola, participando e não estar aprendendo. Portanto, inclusão significa o aluno estar na escola,
participando, aprendendo e desenvolvendo suas potencialidades.
O que são necessidades educacionais especiais? Como superar essas
barreiras das pessoas?
Professora Luana: Tem gente que ainda não entende o que é isso e
teme usar a palavra "deficiente", como se já houvesse um preconceito
contra a palavra. Na verdade, quando falamos em necessidades educacionais
especiais estamos nos referindo a um leque de pessoas com características muito
diferentes. Estamos falando do cego, do surdo, do deficiente mental, do
deficiente físico, das condutas típicas (autismo, hiperativismo etc.). Mas
todos eles fazem parte de um mesmo contexto, o dos alunos com acentuada
dificuldade de aprendizagem. É por essa acentuada dificuldade de aprendizagem
que esses alunos necessitam de uma educação diferenciada, de uma educação
especial, daí "necessidades educacionais especiais". Todo este
processo de inclusão é um processo de aprendizado. As pessoas estão aprendendo
a viver com os diferentes. E isso só se aprende na ação e dentro de um
contexto. Por isso eu acho importante as pessoas estarem abertas para
esse tipo de vivência, pois ela é cada dia mais comum no nosso viver diário.
Como caminha inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino
regular do estado, de acordo com a orientação do MEC?
Professora Luana: A inclusão é um processo. Hoje, 10% das
pessoas com deficiência estão fora da escola. Isso acontece por razões
sócio-históricas, por uma barreira cultural, que não vamos romper da noite para
o dia. A escola nunca foi muito receptiva a esses alunos, dizendo não estar
preparada para eles. Se a mãe tenta fazer a matrícula, muitas vezes desiste,
porque a escola alega que não pode atender seu filho. Na maioria dos casos, os
pais não se acham no direito de reivindicar a matrícula, por acreditar que seu
filho não é igual aos outros e que, por isso, não poderia estudar na mesma
escola que outras crianças não deficientes. É preciso que a escola mude, que a
sociedade mude, para entender que é um direito dessa criança estar estudando,
que a Educação é um direito de todos.
Que tipos de deficiência é possível atender na escola regular e quais
necessitam de escolas e classes especiais?
Professora Luana: A ideia da educação inclusiva é para
todos. Mas a gente tem que ter bom senso. Não se pode querer que hoje todos
estejam no ensino regular. As deficiências mentais, por exemplo, são mais
complicadas. Temos que estar, sim, promovendo, propiciando, abrindo espaços
para que essas crianças comecem a ser incluídas de forma legítima. Não é
colocar o aluno de qualquer maneira na escola. Ele só estará incluído se o
professor souber de todas as estratégias e orientações pedagógicas necessárias
para atender às necessidades desse aluno, em termos educacionais. Em termos de
integração social, é mais fácil, isso vai acontecendo naturalmente, com o
decorrer da convivência.
E o que deve ser feito para que a escola seja realmente efetiva e
propicie o que você chamou de terceiro nível de inclusão: alunos presentes na
escola, participando e aprendendo?
Professora Luana: Das minhas experiências trabalhando com
professores e pessoas nos diferentes necessidades, posso afirmar que para
tornar as escolas mais eficientes no seu ensino-aprendizagem é preciso ter
clareza do que se quer, dar aos professores condições de trabalho, reconhecer
que eles são fatores essenciais nesse processo de transformação. Eles precisam
se sentir reconhecidos e valorizados.
Os professores, por sua vez, precisam se conscientizar que devem estar
aprendendo sempre, que precisam também ser pesquisadores. Isso significa estar
sempre pesquisando, investigando novas formas de ensinar, refletir sobre o seu
trabalho, procurar sempre melhorar o seu próprio trabalho.
Todos devemINVESTIR
na
educação continuada dos professores dentro da escola, se quisermos melhorar a
aprendizagem das crianças.
Isso implica na contribuição de muitos profissionais trabalhando juntos para o
desenvolvimento da escola e dos professores. Quando há comprometimento,
liderança na escola, os professores encontram tempo e espaço para soluções.
Especificamente sobre a inclusão, como você vê a formação do
professor no Ensino Superior?
Professora Luana:A escolas são instituições difíceis de se mudar.
Isso no mundo todo. As de Ensino Superior são as mais difíceis. Muitas
continuam perpetuando as mesmas práticas. O discurso é um e a prática é outra.
Professores no Ensino Superior dizem a seus alunos que as aulas devem ser mais
instigantes, interativas, que devem proporcionar um aprendizado mais ativo.
Quando sabemos que as aulas nas Universidades estão centradas na fala do
professor. Faz-se necessário, portanto, pensar numa reforma na formação do
professor. Os professores formadores precisam reconhecer em suas práticas o que
recomendam aos seus alunos professores. Precisam ser "modelos" do que
dizem. Por exemplo: trabalhar em grupos, na solução de problemas, professor
como facilitador da aprendizagem e assim por diante.Normalmente os professores
estudam por um período de três anos. Deste período, apenas algumas semanas são
dedicadas à prática e se faz necessário fazer com que os alunos professores
conheçam mais a realidade escolar no mínimo no seu município e conheçam esse
processo de inclusão na sua realidade tendo convivência com a complexidade de
ser professor para especiais.
Pela sua experiência, como tem sido a participação da família no
processo de inclusão? Colaboradora ou motivo de impedimento?
Professora Luana:Para uma escola ser mais efetiva tem de desenvolver
melhor as relações com a família. Isso se quiser melhorar a aprendizagem de
seus alunos. Isso vale para qualquer escola.
Normalmente afastamos os pais da escola. Os colocamos nos limites dos portões
das escolas.Eu acho que educação é uma tarefa muito importante para ser
executada só por professores. Todos devem fazer parte desse processo. É
responsabilidade de todos. Cada um desempenhando o seu papel.
Os pais devem pressionar o governo para que o sistema ofereça vagas e melhores
condições de educação. Educação é um direito de todos. Os pais numa escola têm
muitas funções. E essa é uma delas.Pais que têm filhos com necessidades
especiais de aprendizagem não recebem treinamento especial para serem pais.
Aprendem fazendo, porque simplesmente têm de fazer.
Qual é a maior dificuldade que você encontra no seu dia a dia em relação
ao trabalho que você realiza com esses alunos especiais?
Professora Luana: A desinformação , muitos dos pais não
sabem o que realmente o filho tem de especial e cobra resultados inatingíveis
pelos seus filhos, bem como a falta de cursos e interesse de professores em se
especializar nessa área, com isso a desinformação se torna uma barreira enorme
a ser superada sempre.
O que move você a estar sempre motivada a trabalhar com esses alunos
Especiais?
Professora Luana: Paixão por aquilo que faço e
pelas crianças que são realmente “especiais e diferentes”, apresentam
carência afetiva e são dispostas a sempre dividir essa carência com o outro e a
dar carinho e respeito , a evolução de cada um é como uma medalha que se ganha
depois de ser campeão e o troféu é aquilo que aprendemos com eles pois a cada
momento fico sempre com a certeza que eles me ensinam muito mais que eu ensino
a eles essa é a essência do aprender com a vivencia do amor.