segunda-feira, 25 de maio de 2015

Inclusão um direito de todos para todos

DESAFIO PROFISSIONAL
INCLUSÃO: UM DIREITO DE TODOS

 
A inclusão é o processo de inserção de pessoas com deficiência no âmbito social. O alicerce para essa integração é a escola, as políticas públicas garantem essa implantação baseada em Leis que lutam pela igualdade e pelo direito à educação para todos. A LDB/96 assegura esse direito às pessoas com necessidades educacionais especiais, exigindo adequação de currículos, métodos, técnicas e recursos para atender as especificidades, porém a realidade de hoje demonstra que as instituições de ensino não estão preparadas e nem estruturadas para receber a nova demanda. Teóricos como Werneck (1997) e Gallo (1999) acreditam que a segregação não auxilia nem os deficientes como também os considerados normais e que a escola deveria através doCURRÍCULOhttp://cdncache1-a.akamaihd.net/items/it/img/arrow-10x10.png, valorizar as diferenças e competências de cada indivíduo. A escola é direito de todos. Esta frase inquieta muitos professores quando constatam em suas salas de aulas a realidade da diversidade humana. A origem da educação tradicional fez com que alguns profissionais de educação despertassem o desejo de nivelar os conhecimentos dos alunos. A proposta da educação inclusiva deu um novo aspecto à educação visando um olhar diferenciado as singularidades humanas.Acredito que para ter uma educação de qualidade visando a inclusão de alunos especiais é necessário uma estrutura física adequada, um corpo docente capacitado, auxilio irrestrito da família,porém,para que isso ocorra,tem que haver vontade política e principalmente uma boa vontade e esforço de cada envolvido em um processo de inclusãoDeste modo o processo de inclusão é amplo, com transformações pequenas e grandes, tanto em ambientes físicos como nas pessoas envolvidas ou não,partindo das políticas públicas e chegando ao ponto chave que é o de se ter professores capacitados e os familiares propostos a colaborarem. Três pontos são fundamentais na articulação deste Tema : a experiência da inclusão, a valorização das diferenças e a ÉTICA que deve ser o grande pilar em se tratando de inclusão escolar.
O Objetivo maior desse Blog é mostrar que com grande vontade e muitas ações , principalmente um grande interesse daqueles que por obrigação tem que se fazer cumprir as leis marciais dos “direitos humanos”  de se fazer a diferença nas vidas de crianças portadoras de deficiências no ambiente escolar , fazendo assim  se cumprir o direito e a garantia de que todas as crianças e adolescentes tem de estar na escola, seja ela pública ou privada  e que seja então a escola um meio irrestrito de inclusão destes na sociedade como um todo.Objetivo secundário é o de levar informações adequadas e com isso colabora para uma qualificação dos trabalhos a serem desenvolvidos pelos profissionais da  Educação em relação com a inclusão de todos os descriminados.


  “Meu amigo diferente é especial"                                

Para se ter e real sensação de se vivenciar o dia a dia de um professor que realiza trabalho de inclusão em uma escola pública , procurei uma amiga que por amor a profissão e principalmente por se importar  em fazer a diferença na vida de pessoas com necessidades especiais acompanhei por três dias a rotina cansativa, porém muito gratificante da Professora Luana C. da Silva, que trabalha em duas realidades diferentes porém muito significativas para a tarefa multidisciplinar que é realizar um processo complexo de inclusão de alunos da escola pública,sua tarefa é de interpretar a Língua Brasileira de Sinais para dois alunos com deficiência auditiva em uma sala de aula do 5° ano(4° série) do ensino fundamental no período da manhã e no período da tarde ela trabalha em uma escola particular  que tem como “projeto” o trabalho só com pessoas com necessidades especiais em diversos níveis mentais e físicos, onde ela trabalha como professora de Educação Física.Foi com sua turma da manhã que a professora  me permitiu realizar um trabalho especifico para se fortalecer o tema da “amizade e as diferenças” onde ela realizou uma atividade de desenvolvimento artístico com o tema “Meu amigo diferente é especial” . Orientei-as a desenhar espontaneamente um amigo que possua algum tipo de deficiência física ou mental.Fiz três perguntas para que eles tivessem um ponto de partida e uma compreensão maior do que eu queria que fosse realizado: Por quê seu amigo é diferente? Como iniciou sua amizade? Como você trata o seu amigo?

Selecionei três desenhos os quais estão aqui expostos com a digitalização desses desenhos em forma de arquivo de fotos e suas explicações ao lado dos desenhos




                       


Beatriz foi a primeira aluna a desenhar seu amigo especial e ele é o recem chegado a escola “Professor Oswaldo Duarte Junior” , Pedro é um menino de 11 anos assim como Bia. Ele tem deficiencia auditiva e é um dos três  deficientes auditivos que tem na classe, ela descreveu seu amigo como o mais engraçado e feliz de todos os seus amigos e isso é oque o faz diferente.




Renan Marcello desenhou um garoto em uma cadeira de rodas, ele contou que Rai é seu amigo especial, na verdade Renan disse que Rai é seu primo e ele tem 13 anos e moram na mesma casa com a avó materna de ambos, ele nos falou que não sabia bem o nome da doença que causou a paralisia nas duas pernas do primo quando ainda moravam no interior do Ceará , mas sabe que foi por falta de uma vacina,a professora deduz ser menengite, Renan disse que Rai é especial pois gosta de soltar pipa e de ir ver jogos de futebol do time que tem no bairro deles e ele sempre acompanha o primo, empurrando sua cadeira para todos os lados do bairro e isso deixa sua avó brava.


Aline desenhou sua melhor amiga Ana Carolina que segundo Aline é especial porque sempre tem disposição para estar com ela nos momentos em que se sente sozinha, pois seus pais trabalham e ela fica em casa com um irmão mais velho que vive na rua, então sua amiga “Carol” sempre fica com ela e elas assistem TV, ouvem musicas,realizam as tarefas escolares “para casa”; Como Aline é uma menina obesa ela citou que já foi a “diferente” mas não vê sua amiguinha com esse olhar e sim que ela por seu destino sofreu um acidente quando era menor de 6 anos e perdeu parte da perna, por impudência de seu pai que de bicicleta e com ela no “cano” não conseguiu parar e entrou na frente de uma Motocicleta e a menina perdeu assim parte de sua perna,Aline contou também que a escola e a igreja da comunidade vão realizar uma Festa Junina beneficente para comprar uma prótese para Carol.




Conheça melhor o trabalho realizado por uma professora que trabalha com crianças e jovens adolescentes que são portadoras de necessidades especiais. 



      Para se entender melhor o tema da Inclusão de alunos com necessidades especiais, realizei uma entrevista com a Professora Luana C. da Silva.
A professora Luana  tem 36 anos dos quais 17 deles é dedicado a profissão Docente,formada pelo extinto Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (CEFAM)  que foi um centro de formação do magistério que surgiu para substituir os antigos magistérios e os normais, tinha uma visão diferenciada sobre a formação educacional. O curso funcionava em período integral, com duração de quatro anos em vários municípios do estado de São Paulo, é Pedagoga formada no curso da Universidade de Sorocaba (Uniso), formada também em Educação Física pela Universidade Uirapuru de Sorocaba, Pós Graduada em Educação Escolar;Especialização em LIBRAS(Língua Brasileira de Sinais);Pós Graduada em Educação Física Para portadores de Deficiência  Físicas e Mentais e Extensão em Saúde e Higiene.Ela como interprete de LIBRAS na Escola Municipal “Professor Oswaldo Duarte Junior” em Sorocaba e no Instituto de Educação Especial “Clave de Sol”, também em Sorocaba, onde da aulas de Educação Física.
O que significa inclusão para você? 


Professora Luana: Inclusão é a transformação do sistema educacional, de forma a encontrar meios de alcançar níveis que não estavam sendo contemplados. Eu compreendo a inclusão como um processo em três níveis: o primeiro é a presença, o que significa, estar na escola. Mas não é suficiente o aluno estar na escola, ele precisa participar.O segundo, portanto, é a participação. O aluno pode estar presente, mas não necessariamente participando. É preciso, então, dar condições para que o aluno realmente participe das atividades escolares. O terceiro é a aquisição de conhecimentos - o aluno pode estar presente na escola, participando e não estar aprendendo. Portanto, inclusão significa o aluno estar na escola, participando, aprendendo e desenvolvendo suas potencialidades.
O que são necessidades educacionais especiais? Como superar essas barreiras das pessoas? 
Professora Luana: Tem gente que ainda não entende o que é isso e teme usar a palavra "deficiente", como se já houvesse um preconceito contra a palavra. Na verdade, quando falamos em necessidades educacionais especiais estamos nos referindo a um leque de pessoas com características muito diferentes. Estamos falando do cego, do surdo, do deficiente mental, do deficiente físico, das condutas típicas (autismo, hiperativismo etc.). Mas todos eles fazem parte de um mesmo contexto, o dos alunos com acentuada dificuldade de aprendizagem. É por essa acentuada dificuldade de aprendizagem que esses alunos necessitam de uma educação diferenciada, de uma educação especial, daí "necessidades educacionais especiais". Todo este processo de inclusão é um processo de aprendizado. As pessoas estão aprendendo a viver com os diferentes. E isso só se aprende na ação e dentro de um contexto. Por isso eu acho importante as  pessoas estarem abertas para esse tipo de vivência, pois ela é cada dia mais comum no nosso viver diário.




Como caminha inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino regular do estado, de acordo com a orientação do MEC?
Professora Luana: A inclusão é um processo. Hoje, 10% das pessoas com deficiência estão fora da escola. Isso acontece por razões sócio-históricas, por uma barreira cultural, que não vamos romper da noite para o dia. A escola nunca foi muito receptiva a esses alunos, dizendo não estar preparada para eles. Se a mãe tenta fazer a matrícula, muitas vezes desiste, porque a escola alega que não pode atender seu filho. Na maioria dos casos, os pais não se acham no direito de reivindicar a matrícula, por acreditar que seu filho não é igual aos outros e que, por isso, não poderia estudar na mesma escola que outras crianças não deficientes. É preciso que a escola mude, que a sociedade mude, para entender que é um direito dessa criança estar estudando, que a Educação é um direito de todos.
Que tipos de deficiência é possível atender na escola regular e quais necessitam de escolas e classes especiais?
Professora Luana: A ideia da educação inclusiva é para todos. Mas a gente tem que ter bom senso. Não se pode querer que hoje todos estejam no ensino regular. As deficiências mentais, por exemplo, são mais complicadas. Temos que estar, sim, promovendo, propiciando, abrindo espaços para que essas crianças comecem a ser incluídas de forma legítima. Não é colocar o aluno de qualquer maneira na escola. Ele só estará incluído se o professor souber de todas as estratégias e orientações pedagógicas necessárias para atender às necessidades desse aluno, em termos educacionais. Em termos de integração social, é mais fácil, isso vai acontecendo naturalmente, com o decorrer da convivência.
E o que deve ser feito para que a escola seja realmente efetiva e propicie o que você chamou de terceiro nível de inclusão: alunos presentes na escola, participando e aprendendo?

Professora Luana: Das minhas experiências trabalhando com professores e pessoas nos diferentes necessidades, posso afirmar que para tornar as escolas mais eficientes no seu ensino-aprendizagem é preciso ter clareza do que se quer, dar aos professores condições de trabalho, reconhecer que eles são fatores essenciais nesse processo de transformação. Eles precisam se sentir reconhecidos e valorizados.
Os professores, por sua vez, precisam se conscientizar que devem estar aprendendo sempre, que precisam também ser pesquisadores. Isso significa estar sempre pesquisando, investigando novas formas de ensinar, refletir sobre o seu trabalho, procurar sempre melhorar o seu próprio trabalho.
Todos devemINVESTIRhttp://cdncache1-a.akamaihd.net/items/it/img/arrow-10x10.png na educação continuada dos professores dentro da escola, se quisermos melhorar a aprendizagem das crianças.
Isso implica na contribuição de muitos profissionais trabalhando juntos para o desenvolvimento da escola e dos professores. Quando há comprometimento, liderança na escola, os professores encontram tempo e espaço para soluções.


 Especificamente sobre a inclusão, como você vê a formação do professor no Ensino Superior? 

 Professora Luana:A escolas são instituições difíceis de se mudar. Isso no mundo todo. As de Ensino Superior são as mais difíceis. Muitas continuam perpetuando as mesmas práticas. O discurso é um e a prática é outra. Professores no Ensino Superior dizem a seus alunos que as aulas devem ser mais instigantes, interativas, que devem proporcionar um aprendizado mais ativo. Quando sabemos que as aulas nas Universidades estão centradas na fala do professor. Faz-se necessário, portanto, pensar numa reforma na formação do professor. Os professores formadores precisam reconhecer em suas práticas o que recomendam aos seus alunos professores. Precisam ser "modelos" do que dizem. Por exemplo: trabalhar em grupos, na solução de problemas, professor como facilitador da aprendizagem e assim por diante.Normalmente os professores estudam por um período de três anos. Deste período, apenas algumas semanas são dedicadas à prática e se faz necessário fazer com que os alunos professores conheçam mais a realidade escolar no mínimo no seu município e conheçam esse processo de inclusão na sua realidade tendo convivência com a complexidade de ser professor para especiais.


Pela sua experiência, como tem sido a participação da família no processo de inclusão? Colaboradora ou motivo de impedimento?

Professora Luana:Para uma escola ser mais efetiva tem de desenvolver melhor as relações com a família. Isso se quiser melhorar a aprendizagem de seus alunos. Isso vale para qualquer escola.
Normalmente afastamos os pais da escola. Os colocamos nos limites dos portões das escolas.Eu acho que educação é uma tarefa muito importante para ser executada só por professores. Todos devem fazer parte desse processo. É responsabilidade de todos. Cada um desempenhando o seu papel.
Os pais devem pressionar o governo para que o sistema ofereça vagas e melhores condições de educação. Educação é um direito de todos. Os pais numa escola têm muitas funções. E essa é uma delas.Pais que têm filhos com necessidades especiais de aprendizagem não recebem treinamento especial para serem pais. Aprendem fazendo, porque simplesmente têm de fazer.
Qual é a maior dificuldade que você encontra no seu dia a dia em relação ao trabalho que você realiza com esses alunos especiais?
Professora Luana: A desinformação , muitos dos pais não sabem o que realmente o filho tem de especial e cobra resultados inatingíveis pelos seus filhos, bem como a falta de cursos e interesse de professores em se especializar nessa área, com isso a desinformação se torna uma barreira enorme a ser superada sempre.
O que move você a estar sempre motivada a trabalhar com esses alunos Especiais?
Professora Luana:  Paixão por aquilo que faço e pelas crianças que são realmente “especiais e diferentes”,  apresentam carência afetiva e são dispostas a sempre dividir essa carência com o outro e a dar carinho e respeito , a evolução de cada um é como uma medalha que se ganha depois de ser campeão e o troféu é aquilo que aprendemos com eles pois a cada momento fico sempre com a certeza que eles me ensinam muito mais que eu ensino a eles essa é a essência do aprender com a vivencia do amor.

 







“O pior é a DESENFORMAÇÃO  pois muitos dos pais não sabem o que realmente o filho tem de especial e cobra resultados inatingíveis pelos seus filhos, bem como a falta de cursos e interesse de professores em se especializar nessa área, com isso a desinformação se torna uma barreira enorme a ser superada sempre.”
                                     Prof° Luana C. da Silva



                                                                    Conclusão:
 Muito mais que o processo de inserção de pessoas com deficiência no âmbito social, a inclusão é uma forma clara de se transformar a vida de uma pessoa que é especial, diferente e tem seus direitos garantidos. A inclusão é um processo complexo que exige um esforço de todos os envolvidos, desde o Poder Público, os professores e a família. A capacitação dos profissionais é a ampliação de Políticas Publicas é o que dará um maior suporte aqueles que realmente necessitam de “atenção”  e assim farão parte da sociedade como um todo.


Para ampliar o conhecimento sobre a Inclusão muito mais temas sobre a Educação foi que criei um blog onde poderemos debater este assunto e muito mais sobre Educação, Direitos, Escola, Políticas Públicas, ONGS, Cultura,Diversidade, Desenvolvimento Social, etc...

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